Sobre o relacionamento de Bancos e Partidos

O BES financiou a campanha de Cavaco Silva e o Partido Comunista Português (PCP). Se o primeiro já se esperava vindo de quem vem, o envolvimento e, sobretudo a reacção, do segundo é no mínimo de espantar. De facto, o Partido Comunica cataloga como relacionamento comercial normal a existência de uma linha de crédito de 149 000 euros. Claro, perfeitamente normal.

A notícia não é nova, já no passado verão se tinha sabido de relações entre o BES e os principais partidos, entre eles o Partido Comunista. Na altura, soube-se de uma linha de crédito para as autárquicas e o PCP emitiu um comunicado onde ardilosamente evitava a importância do assunto (dizendo que tinha pago a dívida, mas “esquecendo-se” de referir que essa linha de crédito tinha por base expectativas eleitorais e lhe dava ampla vantagem eleitoral sobre outros movimentos de cidadãos que não dispõem de semelhantes “relações comerciais”). Pouco depois, o sector financeiro não deverá ter sido completamente alheio a operações como a compra dos novos terrenos da Festa do Avante: esta operação foi apresentada com pompa e circunstância na última Festa do Avante mas é estranho que o Partido Comunista tenha anunciado ir recolher fundos junto dos seus militantes depois de a operação aparentemente estar já a ser concretizada e em modo de urgência (contrato promessa? com ou sem sinal? transparência exige-se, especialmente nos partidos que dizem afrontar o sistema bancário e financeiro). Sobre o Bloco de Esquerda ainda não se sabe nada, mas investigue-se também a CGD, o BIC, BANIF, BCP, MONTEPIO e outros e verificar-se-á o que aparece. Seria também interessante que as relações entre sindicatos e confederações patronais e o sector bancário/financeiro fossem investigadas, porque no âmbito das “relações comerciais normais” cabe mesmo muita coisa. E porque destas investigações far-se-á alguma luz sobre o empréstimo da troika e a paz social que se viveu no Portugal em franco empobrecimento dos últimos 3 anos.

Mas talvez mais importante é afirmar doravante o seguinte: não são admissíveis relações entre candidatos/partidos/sindicatos/confederações patronais e o sector bancário e financeiro. Elas têm de ser transparentes (quanto ao passado) e proibidas (no futuro). Apenas os serviços básicos (terminais multibanco, pagamento de ordenados, etc), os depósitos à ordem e os depósitos a prazo deveriam ser permitidas (e os últimos só com juro baixo!). Porquê? Para além da pouca vergonha que poderá ser a descoberta de que o sector bancário/financeiro tem conluios significativos com partidos e outros representantes, a simples capacidade de endividamento (ou de obter certos “descontos”) por parte dos últimos subverte desde logo as regras do jogo democrático ao favorecer claramente os grandes (que possuem mais elevado patriomónio, mais elevadas espectativas eleitorais, ou outros) em detrimento dos pequenos (que nunca chegarão a ser grandes por falta dos alavancados meios de campanha eleitoral).

bandeira pcp partido foice martelo

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: