O que fazer quando não podemos Fazer Agora?

O oportunismo político, a sensação de déjà vu e a eminente falta de imaginação, entusiasmo e estratégia da maioria das ideias apresentadas na reunião “Vamos Fazer Agora” do passado sábado, confirmam que aquele grupo de pessoas (no qual me incluo) não pode absolutamente nada de significativo neste momento (além de iniciativas esporádicas).

“Não poder absolutamente nada de significativo neste momento” tem causas e é péssimo a título individual e colectivo no curto prazo, mas não só é uma etapa normal dos movimentos sociais como poderá ser útil no médio e longo prazo. Isto porque uma pausa na acção oferece uma oportunidade para deslocar o foco dos participantes do “Fazer Agora” para o inicio de um processo de reflexão sobre o “porque é que não conseguimos Fazer Antes nem Agora e o que precisamos para conseguir Fazer no Futuro”. Esta reflexão (que no meu entender já tarda dois anos mas que surgirá agora enriquecida pela maior experiência de muitos) precisa para se realizar de tempo para reunir, conversar, estudar e reorganizar os alicerces de uma futura construção. E que quando alguns dos intervenientes mais influentes se apercebam de uma vez por todas que é de facto necessário descer das nuvens, admitir alguns erros, e começar a discutir processos e estratégias em conjunto com outros (seus dispares) que clarifiquem os objectivos de cada um, aquilo que se partilha e aquilo em que se diverge, e qual o modo que cada um defende para dar a volta ao retrocesso social que se vive. No fundo, tudo isto não será mais do que construir a rede que é essencial às mobilizações futuras.

De facto este processo de reflexão pode não suprir as necessidades imediatas mas que terá maior probabilidade de mudar a sociedade daqui a uns anos do que o Fazer Agora, qualquer coisa vagamente útil, desarticulada, apenas porque é necessário, apenas para tentar, apenas por sim. Mais não seja por ajudar a manter todos vagamente articulados e mobilizados.

Note-se que a utilização de uma pausa não é imobilismo. Nunca nada efectivamente pausa e certamente todos continuaremos a fazer acções, a sentir a força esporádica das grandes ideias, a emocionarmo-nos e desiludirmo-nos com as lutas em torno delas. Muito menos se põe de lado a possibilidade de algumas dessas acções resultarem em algo mais do que modestos pequeno contributos para antecipar um pouco uma futura mudança. Apenas se afirma que se queremos realmente maximizar a nossa possibilidade de antecipar um melhor futuro, então acção e reflexão têm de estar muito mais a par do que têm estado até aqui e que, especialmente no actual contexto, intensa reflexão e algum convívio assumem especial relevância.

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