Archive for Outubro, 2014

15 Out, 2014

15 de Outubro de 2011-> 15 de Outubro de 2014

Raios partam este retrocesso. Foi assim no 15 de Outubro de há 3 anos. Dá que pensar em tudo o que se seguiu e hoje se vive:

  • “A democracia sai à Rua”
  • “Por uma democracia participativa”
  • “Pela transparência nas decisões políticas”
  • “Pelo direito ao trabalho com direitos, à habitação, à educação, à saúde e à cultura”
  • “Contra a privatização dos recursos naturais e sectores estratégicos”
  • “Assembleia Popular em São Bento”
  • “Vigília”
  • “Manifestação Internacional”
  • “Traz a tua voz”

Como não pensar que a diversidade de participantes e a radicalidade (relativa) das mensagens e do manifesto, escritos nos meses que se seguiram à Acampada Lisboa e 15M (sim, esse mesmo que hoje está na base de partidos e movimentos como o Podemos ou o Guanyem Barcelona), se foram progressivamente simplificando e deteriorando sob a acção conjugada das interferências partidárias e desmobilização apartidárias até atingirem o ponto em que hoje estão: 15 de Outubro de 2014, entrega do Orçamento, e nenhum vislumbre de mobilização social significativa em torno das grandes questões nacionais.

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15 Out, 2014

Dá que pensar: 15 de Outubro outra vez

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Preocupa-me um povo que não grita quando sofre. Preocupam-me partidos e sindicatos que não defendem a população quando ela é atacada. Preocupam-me movimentos sociais que não contra-atacam nem mobilizam cidadãos em plena crise.

11 Out, 2014

A Dívida Ilegítima e a Auditoria Cidadã nas Moções do Bloco

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Constato que todas as moções à próxima convenção do Bloco de Esquerda falam de “Dívida”. No entanto, é preocupante que apenas 2(!) das 5 moções (a Moção E e a Moção R) mencionem o conceito de “dívida ilegítima” no seu texto (e escassas vezes); e que continue a haver no Bloco de Esquerda moções candidatas que minimizam a importância da discussão nacional da questão da dívida dissociando-a “de uma resposta interna às dificuldades extremas que os cidadãos estão a viver” (Moção A).

De entre as moções que fazem algum caminho na afirmação da necessidade de separação entre dívidas legítimas e ilegítimas nenhuma afirma claramente a necessidade de recusar o seu pagamento. Em vez disso é utilizada outra semântica: a Moção E fala em “reestruturar a dívida pública rejeitando a dívida ilegítima” e a Moção R fala em “renegociar os prazos de pagamento e os juros, depois de expurgar [a dívida] da sua componente ilegítima” Ainda que ambas pareçam considerar isso uma “condição para um caminho de justiça económica e de respeito essencial pela democracia” (Moção R), a utilização de uma semântica elaborada para referir um conceito simples como o “não pagamento” em nada ajuda a passar a mensagem política às populações.

É também preocupante que nenhuma das moções que fala em “dívida ilegítima” avance com uma proposta de mecanismo para a distinção entre “dívida ilegítima” e “dívida legítima”. Essa proposta existe e é simples e clara: têm de ser os cidadãos a organizar Auditorias Cidadãs à Dívida, à margem das instituições e partidos tradicionais, no sentido de analisarem as contas públicas e exigir o não-pagamento das dívidas ilegítimas. O Bloco de Esquerda não é alheio a este conceito e foi uma das forças políticas envolvidas na Iniciativa Auditoria Cidadã à Dívida (IAC), um movimento que em finais de 2011 prometeu abertura e mobilização à sociedade mas que a) não só não afirmou efectivamente o conceito de “dívida ilegítima” e de “não-pagamento” como b) acabou de tal forma co-optado pelos arranjos partidários que estavam na sua génese que entregou no parlamento uma petição a delegar parte das suas responsabilidades às forças parlamentares alinhando o seu discurso no debate reestruturação/renegociação. A petição será discutida no Parlamento no próximo dia 22 de Outubro (com o final que se antevê) e, como é hábito, a IAC já se mostrou desiludida com o resultado da sua investida parlamentar (ainda que seja de dúvidar que os intervenientes não tivessem desde o príncipio antevisto este desfecho). Pela sua responsabilidade neste processo, importaria que o Bloco de Esquerda perdesse mais algum tempo a discutir a sua intervenção neste movimento (mais não fora por respeito às mais de 500 pessoas que apoiaram o início da IAC) em vez de o ocultar dos conteúdos das suas moções (apenas a moção U refere ao de leve a existência da IAC, que associa a um leque de iniciativas passadas).

Em resumo, sendo certo que há algum progresso no uso do termo “dívida ilegítima” nas moções do Bloco, é preocupante que apenas duas das cinco moções abordem este assunto (e sem particular destaque) e que o façam num contexto que obscurece a necessidade a necessidade de “não pagamento das dívidas ilegítimas” e de participação cidadã que o sustente e assegure. E no final tudo como dantes: continua a caber à sociedade civil a necessidade de se organizar à margem das instituições partidárias no sentido de resolver os seus problemas e pressionar efectivas mudanças (de política mas também de comportamento).

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08 Out, 2014

O que fazer quando não podemos Fazer Agora?

O oportunismo político, a sensação de déjà vu e a eminente falta de imaginação, entusiasmo e estratégia da maioria das ideias apresentadas na reunião “Vamos Fazer Agora” do passado sábado, confirmam que aquele grupo de pessoas (no qual me incluo) não pode absolutamente nada de significativo neste momento (além de iniciativas esporádicas).

“Não poder absolutamente nada de significativo neste momento” tem causas e é péssimo a título individual e colectivo no curto prazo, mas não só é uma etapa normal dos movimentos sociais como poderá ser útil no médio e longo prazo. Isto porque uma pausa na acção oferece uma oportunidade para deslocar o foco dos participantes do “Fazer Agora” para o inicio de um processo de reflexão sobre o “porque é que não conseguimos Fazer Antes nem Agora e o que precisamos para conseguir Fazer no Futuro”. Esta reflexão (que no meu entender já tarda dois anos mas que surgirá agora enriquecida pela maior experiência de muitos) precisa para se realizar de tempo para reunir, conversar, estudar e reorganizar os alicerces de uma futura construção. E que quando alguns dos intervenientes mais influentes se apercebam de uma vez por todas que é de facto necessário descer das nuvens, admitir alguns erros, e começar a discutir processos e estratégias em conjunto com outros (seus dispares) que clarifiquem os objectivos de cada um, aquilo que se partilha e aquilo em que se diverge, e qual o modo que cada um defende para dar a volta ao retrocesso social que se vive. No fundo, tudo isto não será mais do que construir a rede que é essencial às mobilizações futuras.

De facto este processo de reflexão pode não suprir as necessidades imediatas mas que terá maior probabilidade de mudar a sociedade daqui a uns anos do que o Fazer Agora, qualquer coisa vagamente útil, desarticulada, apenas porque é necessário, apenas para tentar, apenas por sim. Mais não seja por ajudar a manter todos vagamente articulados e mobilizados.

Note-se que a utilização de uma pausa não é imobilismo. Nunca nada efectivamente pausa e certamente todos continuaremos a fazer acções, a sentir a força esporádica das grandes ideias, a emocionarmo-nos e desiludirmo-nos com as lutas em torno delas. Muito menos se põe de lado a possibilidade de algumas dessas acções resultarem em algo mais do que modestos pequeno contributos para antecipar um pouco uma futura mudança. Apenas se afirma que se queremos realmente maximizar a nossa possibilidade de antecipar um melhor futuro, então acção e reflexão têm de estar muito mais a par do que têm estado até aqui e que, especialmente no actual contexto, intensa reflexão e algum convívio assumem especial relevância.

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07 Out, 2014

Presidente de um dos melhores países do mundo

Palavras finais do discurso do presidente da república no passado dia 5 de Outubro: um apelo final aos jovens (ver na integra aqui):

Os jovens portugueses não devem enveredar pelo pessimismo e pela maledicência, não devem desperdiçar energias e o imenso talento que têm a criticar tudo e todos, quando tanto podem dar à vossa terra, Portugal, um dos melhores países do mundo para viver.

Não desperdiçar energias a criticar tudo e todos…Portugal como um dos melhores países do mundo para viver…Foi com alguma pena (mas sem desilusão porque como dizia outro dia um amigo “só tem desilusões quem se iludiu com algo”) que vi comentadores e redes sociais perderem estas palavras na espuma dos dias. Os primeiros seguiram o guião pré-preparado dos “recados do presidente”. Os segundos, copiaram-nos ou optaram por outros temas da actualidade. Ou então pouca gente na realidade ouviu o discurso até ao fim ou foi depois ler o original do discurso…

Para contraste e análise, sem pretender entrar na critica e maledicência que tanto parecem perturbar o presidente, relembro aqui a introdução do seu discurso de 5 de Outubro de 2012 onde o panorama político (e a contestação nas ruas) eram certamente diferentes não se percebendo como de repente Portugal se tornou um dos melhores países do mundo para viver

Portugal tem de conseguir conquistar a sua autonomia financeira face ao estrangeiro, mas esse objetivo ainda não foi alcançado. Aos Portugueses são pedidos grandes sacrifícios, ao mesmo tempo que se verifica o desemprego de milhares de cidadãos a que não podemos deixar de acorrer. Muitos Portugueses veem-se em situações de grande dificuldade, situações que os seus pais nunca conheceram e que eles próprios nunca julgaram que viriam a atravessar. Nestas alturas, há o risco de nos deixarmos abater pelo desânimo e pelo pessimismo, de sermos assaltados por sentimentos de medo e de frustração, de incerteza quanto ao nosso futuro e quanto ao futuro dos nossos filhos. Tão absorvidos estamos pelas dificuldades do presente que rapidamente podemos perder o sentido do futuro.

E deixo a ideia de que se proceda a uma comparação mais cuidadosa dos discursos dos últimos 5 anos, desde logo nas suas referências ao sistema escolar (sempre abundantes dado o inicio do ano que ainda se vive em outubro) e cuja análise me parece poder ajudar nas lutas dos criticos e maledicentes professores.

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06 Out, 2014

Instantâneo de uma relação de poder

Uma foto que espelha uma relação de poder…

Um primeiro-ministro contrariado, um banqueiro que força um abraço, alguém que ri em pano de fundo. E depois, com eles, à volta da mesma mesa (e quem sabe se não tendo participado no planeamento da desfeita), Marques Mendes, comentarista "isento" do nosso prime time de sábado à noite (e das manchetes dos jornais de domingo), e Eduardo Catroga, o anoréxico mor (que pelos vistos também janta), homem que antes da troika apontava a dedo as gorduras de meio-Portugal (que não ele) e que agora representa os interesses "politicamente inócuos" dos accionistas estrangeiros da EDP (com provavel direito a ser ministriável num próximo governo).

Quando é que vamos mudar esta política?

01 Out, 2014

um video importante nos dias que correm (de primárias do PS)