Archive for Junho, 2014

29 Jun, 2014

cataventos

Sopram bons ventos de Espanha.

Mas é importante não esquecer que há uma enorme diferença entre quem gera a ventania e quem ouvindo o vento à distância se orienta paralelamente a ela.

Ainda que me agrade ter constatado a expressão eleitoral do Podemos, e o surgimento de outros movimentos do género (por ex. em Barcelona), não ignoremos que o sucesso institucional destes movimentos reside precisamente no enorme trabalho não-institucional que lhes está subjacente e que visa a transformação da sociedade não necessariamente por via institucional (e a maior parte das vezes em clara oposição a ela). Esses movimentos assemelham-se a uma fonte da qual acaba vertido algum sucesso eleitoral à esquerda, mas este sucesso está muito longe de ser o contributo mais interessante que eles geram. Dito de outra forma, a expressão eleitoral é apenas a face institucionalmente visivel do que realmente importa, uma espécie de sondagem de opinião, sem dúvida importante para abrir os media e o centrão a novas ideias políticas e assustar um pouco quem nos governa, mas não mais do que isso.

Por isso, há que ter cuidado. Nada mudou em Portugal com o sucesso do Podemos. Os resultados eleitorais à esquerda foram pessimos e a mobilização social se mudou foi para pior. Apenas os activistas e partidos de sempre fizeram (até ver) alguma inversão de estratégia aproximando-se de novo um pouco dos que defendem a horizontalidade e um discurso um pouco mais radical. E se calhar até nem isso: o mais provavel é que estejam apenas dispostos a ouvir e analisar no sentido de melhorarem a sua performance eleitoral).

Há que continuar o trabalho de base, seguindo com interesse e buscando inspiração no que de bom se vai passando em espanha (e noutros lados!). Mas sem fazer a estupidez de tentar construir a casa pelo telhado assente em pouco trabalho de base. Têm surgido muitas iniciativas locais e novos grupos de discussão mas são ainda manifestamente poucos. Há que continuar esse trabalho e confiar que trará frutos.
cleardot.gif

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28 Jun, 2014

Guanyem Barcelona

Ultimamente reparo que não falta por aí quem tente construir telhados sem paredes. E até mesmo quem não atentando sequer no tipo de alicerces das novas construções se afirme com desejos de construtor. Receio no entanto, que o tempo seja (ainda) de aprendizagem e comparação de modelos e não de planificação e construção do que quer que seja. Isto porque faltam arquitectos, construtores, materiais e, inclusive, ideias novas.

Deste texto sobre Guanyem Barcelona (divulgado hoje no twitter por Ada Colau) ressalvo por exemplo…

Finalmente,en la aparición de movimientos sociales como las mareas ciudadanas o como la PAH, que dio expresión a un original tipo de sindicalismo urbano y devolvió al derecho a la vivienda y a la desobediencia su sentido rebelde y transformador.

Estas experiencias democratizadoras, sumadas al 15-M, al movimiento por el derecho a decidir, a la consolidación de propuestas de izquierdas y ecologistas en diversos puntos del Estado y a la irrupción de otras nuevas como Procés Constituent o Podemos, han ido gestando lo que hasta hace poco parecía inconcebible: un escenario destituyente del régimen de poder actual y constituyente de una realidad alternativa.

a partir da qual se percebe que Guanyem Barcelona não é qualquer apelo à unidade de esquerda. Muito menos defende como realidade alternativa qualquer alternativa partidária. E que (tenta) construir alicerces em enorme quantidade de trabalho local.

Isto deveria bastar para fazer pensar duas vezes os bem intencionados que já surgem dispostos em fazer-se ao mar mediático. É preciso preparar o navio em terra; equacionar bem como, contra quê e para que é que se vai lutar; verificar se é a estratégia mais adequada; e ter bastante atenção aos objectivos dos marinheiros e contramestres partidários que se sempre oferecem para participar em mediáticas empresas.

26 Jun, 2014

Desassossego promovido em Oslo

Claro que tinha de noticiar isto (mesmo com atraso).

Vai abrir uma em Lisboa nos próximos dias. Ao que consta, promovida pela mesma pessoa. [nada que espantasse Pessoa; e, muito menos!, que emocionasse Bernardo Soares]

Haja quem faça justiça à obra
Haja quem desassossegue Lisboa.

15 Jun, 2014

Inconsequências

ah…estes espanhois inconsequentes das acampadas…(*)

Já se vota em espanha.

http://www.referendumrealya.com/

(*) era comum há 3 anos a nossa esquerda partidária e partidarizada falarem assim dos movimentos em Espanha…Desde então, PAH, PACD, e muitos outros têm demonstrado com praticas políticas e inclusive, recentemente, alguns resultados eleitorais, o erro e a falta de visão da nossa esquerda de então. E de agora.

https://www.youtube.com/watch?v=bfxnyGI57jw