Archive for Dezembro, 2013

31 Dez, 2013

As dificuldades não são “puzzles” à espera de solução

As dificuldades e os problemas não são "puzzles" à espera de solução. Essa metáfora assume que todas as peças necessárias estão em cima da mesa e que apenas precisam de ser re-organizadas. Isso não é verdade. Frequentemente é preciso criar algo novo. "Inovação" é mexer as peças de um lado para o outro com mais entusiasmo e força. Isso não é nenhuma "grande ideia" nem quebra minimamente o status quo: é precisamente um reflexo desse status quo, um produto desse status quo.

Estas frases, aqui adaptadas e retirada do contexto original deviam ser alvo de reflexão por todos aqueles que procuram activar cidadanias.

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30 Dez, 2013

Grandes respostas (Nadezhda Tolokonnikova ao Der Spiegel)

Entrevista a Nadezhda Tolokonnikova a um jornalista do Der Spiegel que devia ter vergonha das perguntas que faz. Fosse a "nossa" Diana assim e o 15 de Setembro talvez tivesse sido outra coisa.

http://www.spiegel.de/international/world/spiegel-interview-with-pussy-riot-member-nadezhda-tolokonnikova-a-941135.html

(…)

SPIEGEL: Do you feel guilty that you and your husband have neglected your daughter, because of your political protests?

Tolokonnikova: A man would never be asked that sort of question.

SPIEGEL: For instance, you took Gera along to demonstrations, as a protective shield, so to speak. The Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung even compared you to members of the Red Army Faction, a German terrorist organization, who neglected their children.

Tolokonnikova: Those kinds of comments stem from a deeply paternalistic viewpoint. Society is still trying to reduce women to the confines of their private lives, to husband and children, home and hearth. Every woman with a career has to make sacrifices when it comes to her children. It’s no different with me, as a political activist, than with businesswomen, of which there are thankfully more and more in Russia. Or a female cabinet minister. And besides, we are fighting for changes so that our children will live in a better Russia one day.


(…)

SPIEGEL: Are you grateful to Putin for granting an amnesty for Pussy Riot?

Tolokonnikova: I’m grateful to those who supported us month after month, in Russia and abroad. I owe my release to the people, and not to our political leadership. That’s why we must continue to apply pressure.

(…)

SPIEGEL: Khodorkovsky wrote an open letter in which he somewhat condescendingly addressed you as girls. How you feel about him and his plans to go to Switzerland?

Tolokonnikova: Our paths in life are very different. We have only one thing in common: our experience in the camps. I hope that, in my case and that of my fellow Pussy Riot activists, it results in our devoting all of our energy to campaigning for the release of innocent people, the improvement of prison conditions and a more democratic political system in Russia. If Khodorkovsky wants to support our projects, he should do so. But we will certainly not ask him or others for financial assistance. Of course, he was imprisoned for a longer time and under more severe conditions than I was. Perhaps Mikhail Khodorkovsky wouldn’t be the worst president for our country.

22 Dez, 2013

Tchim Tchim

Eurico Figueiredo quis chamar "que se lixe a troika" a um vinho. Já em tempos também a Radio Popular teve uma campanha "que se lixe a troika" (o post está por aí algures).

Aproveitamento sistémico de um movimento sistémico. Espectável não? É uma pena, não tinha que ser assim, não devia ser assim. Mas uns não souberam e os outros, os que os incentivaram e estimularam na adopção do isolamento sectário digno dos habituais fracassos partidários, quiseram que assim fosse.

E assim foi. É pena.

18 Dez, 2013

Um raio de luz ao fundo do túnel

No desanimo dos ultimos dias, eis que uma amiga, mãe de dois, que até esta data não se havia mobilizado, me liga, eufórica, anunciando ter participado num bloqueio aos exames dos professores.

Foi muito bom, muito bonito e muito significativo este telefonema. Na sua voz ressoava a certeza de que "juntos podemos" e a euforia de uma invasão espontânea de salas de aulas conjuntamente com outros professores para lutar pelos direitos dos colegas obrigados a fazer exame. O facto de ela não estar abrangida pela obrigação e ainda assim reivindicar é extremamente significativo. Não desmobilizou, interessou-se e viu que sim, que era possível.

Assim arda esta esperança. Um dia de tanto roer, havemos mesmo de lhes conseguir rebentar os calos. Juntos Podemos!

17 Dez, 2013

Ainda o manifesto dos 3D (desabafo n)

Agora deu-lhes a veia de escritores, manifesto atrás de manifesto…irra! não há pachorra…quando é que eu vejo estes ilustres à cabeça da convocatória de uma manifestação?!

17 Dez, 2013

Ainda o manifesto 3D (desabafo II)

Enquanto cidadãos e cidadãs sem filiação partidária, mas nem por isso menos empenhados e politicamente ativos, estamos prontos a fazer a nossa parte.

Fantástico. E a vossa parte é ajudarem à convergência daqueles que nunca souberam convergir sozinhos para que eles vos ajudem a dar cabo do governo e alterar o rumo à Europa da noite para o dia? Fantástico. Estamos no meio da crise, a caminho de um programa cautelar e de mais austeridade, fala-se à boca aberta de "falta de soberania" e de "retrocesso civilizacional", a liderança do PS segue a troika, os bancos continuam na boa como se nada se tivesse passado, o ministério público queixa-se de que não tem meios para combater o crime de colarinho branco, a Deco de que os cidadãos não têm acesso à justiça, os polícias dos drones, e os mais ilustres da Nação empreendem as manifestos que tinham cabimento há dois anos atrás…Por e simplesmente fantástico. Não há sequer lugar para um mínimo de radicalismo? um mínimo!, mesmo que subtil! mesmo que tímido!?

jjeeeeee!

17 Dez, 2013

Ainda o manifesto dos 3Ds

Há um povo a sofrer na Grécia e em Portugal às mãos destas mesmas exactas instituições democráticas e financeiras. E estas pessoas ainda desejam uma mudança suave e democrática no ciclo eleitoral, acompanhada da saída de cena pacífica dos ex-governantes. Fantástico!

There is just no stopping. Dignidade, uma figa!

17 Dez, 2013

Mais um manifesto: é assinar, assinar, assin…zzzzzz

Mais um manifesto para quem quiser assinar. Diz este que "Os portugueses precisam de uma maioria para governar em nome da dignidade, da democracia e do desenvolvimento". E que estão de "acordo quanto à necessidade de pôr travão à austeridade e renegociar a dívida.".

Que é feito da auto-determinação e emancipação da população na criação de alternativas ("longe da necessidade de maiorias que a representem")? e da recusa do jogo dos credores ("renegociação da dívida" não é o que já está a ser feito cada vez que se regressa aos mercados e troca o pagamento de amanhã pelo pagamento do dia seguinte com juros).

Enfim, um pozito de radicalismo e mudança precisa-se…

http://manifesto3d.blogspot.pt/2013/12/subscreva-o-manifesto.html

17 Dez, 2013

Vale a pena ver: Vamos não viver como escravos!

Documentário que perspectiva a resistência anarquista na Grécia (legendas em várias línguas).

https://www.youtube.com/watch?v=RoaBaLyF_jw#t=5297

17 Dez, 2013

O chefe dos presos crónica lenta, amarga e desiludida

Todo o mundo geme, todo o mundo grita.

E é então, quando gritamos e ninguém nos acode que vamos descobrindo que não somos especiais, que há mais como nós, muito mais, aterradoramente mais, que somos apenas mais uns entre iguais, e nem por isso alvo de atenção especial por parte das "instâncias internacionais".

E que nos apercebemos que há mais quem grite. E também a plenos pulmões. Aliás, sempre houve. Gritou (e grita) a Grécia (e ninguém a ouviu). Gritaram (e gritam) as famílias espanholas desalojadas (e ninguém as ouviu). Gritam e continuarão a gritar os emigrantes do outro lado do muro de Melilla e ninguém os ouve ou ouvirá. Gritam os palestinos há dezenas de anos e ninguém os ouve (por mais mortandade que sofram). Gritam os jovens como nós, mortos à catanada num qualquer ponto de África (e também eles tinham sonhos). Gritaram os argentinos e os chilenos durante anos de ditadura e ninguém os ouviu. E, pasme-se, gritámos também nós durante 40 e tal anos de ditadura e ninguém nos ouviu.

Sim, porque também nós sabemos quanto tempo é possível gritar e não ser ouvido. Também nós sabemos bem quanto tempo é possível sofrer enormidades e violações, empobrecimento e retrocesso, mesquinhez e religiosidade absurda, Deus Pátria e Família e o diabo-a-quatro, sem solução à vista, durante anos. E do exterior, nada.

Estamos sós e ninguém nos ouve. E, talvez por isso, por o sabermos, temos medo. Muito medo. E como resposta a esse medo gritamos baixinho para não incomodar, puxamos a manguinha das "instâncias internacionais" e chamamos a sua atenção. Não para os gritos, mas para o nosso gritar baixinho.

Mas no fundo, não somos especiais, não somos imortais, nem esta é uma prisão qualquer. Somos a exacta mesma corja explorada e presa como todos os outros que gritam a nosso lado. Com uma diferença, um ignóbil diferença: gritamos baixinho para agradar ao dono da prisão. Refugiamo-nos na esperança de chegarmos a chefe dos presos e termos vagos privilégios com isso. Umas refeições especiais talvez. Talvez a possibilidade de bater nos outros (fazendo tão bem lembrar o "nós não somos como a grécia" tantas vezes repetido). Tudo, desde que nos distinga dos outros presos.

Como disse…ignóbil. Execrável. Houve outro dia um escritor que toldado pela emotividade e esperança que sempre se sente quando se contacta com os fantásticos exemplos dos doentes de cancro, afirmou que o "povo português era de uma dignidade incrível". Mas não é. Nada mais falso. No seu dia a dia, o "povo português" é de uma indignidade incrível, de uma cobardia incrível e de uma falta de coragem incrível. É esse o povo português no dia a dia. É esse o povo português que conta.

Ninguém com dignidade aspira a ser chefe dos guardas desta prisão. Ninguém com dignidade aceita ser conduzido a isso. Seria um favor que fariam, uma aprendizagem enquanto nação, encerrarem-nos com os outros presos. E deixarem-nos devorar. Mas desconfio…tenho mesmo muito medo que…

nem assim nos revoltassemos.