Archive for Novembro, 2013

23 Nov, 2013

Os democráticos

Não deixa de ser espantosa a quantidade de vozes que têm vindo a público afirmar que "democracia é voto" na sequência da ocupação da escadaria da Assembleia da República pelos corpos policiais.

Há de tudo. Mas são sobretudo gente relativamente bem instalada na vida, seja nos partidos, seja nas empresas, seja nos sindicatos, e sobretudo com algo a perder com alterações inesperadas da ordem pública. Gente de direita ou de esquerda que foge de surpresas como o diabo da cruz porque elas "podem deitar tudo a perder", mas que nunca esclarece qual é o tudo, "esquecendo-se" de dizer que parte do tudo que pode ser deitado a perder é mesmo a miséria e a austeridade sofrida por outros que não eles.

Subitamente revestidos de enorme preocupação democrática, todos – desde os que assinaram o memorando da troika aos que apenas(!) têm adulterado e anulado os pequenos laivos de auto-organização apartidária da sociedade – são hoje imensamente democráticos, compreendendo tudo mas, quais pais da nação, insistindo sempre que a "Democracia é o voto" e que importa aguardar com serenidade eleições e governos que – por dependerem deles! – não virão melhorar nada.

Alguém que lhes explique que isto é a estratégia errada. Inclusive para os seus próprios objectivos. Por mais que se esforcem, eles não vão conseguir controlar a situação ad eternum enquanto eles (ou outrem) continua a apertar as classes média e baixa. E não há fim à vista para esse aperto. Melhor fariam em tentar encabeçar a mudança. Mas, não. Não são capazes, ninguém arrisca saltar do poleiro para o fundo do poço. Afinal de contas, para quê juntarem-se à maralha?

E, já agora, alguém que lhes explique – ou melhor, que os force a afirmar o porque o sabem! – que a "Democracia não é o voto". E que esse tipo de afirmações é a afirmação mais clara e evidente a) do mal que eles estão a propagar no sistema democrático, b) da raiz dos problemas actuais e c) da sua completa incapacidade de os resolver.

21 Nov, 2013

Nós somos os representantes do povo. Por isso, protegemo-nos do povo.

O Governo e os parlamentares estão preocupados com protestos a partir das galerias da Assembleia da República. O Bloco de Esquerda diz que é tudo relativo e aparentemente defende a relativização da questão porque as manifestações funcionam "como válvula de escape" sendo por isso "benéficas para a democracia". Ninguém quer mesmo que nada de substancial mude pois não? Juntos e protegidos do povinho, eis o que os nossos "representantes" querem.

Que ninguém os belisque porque estão a fazer um óptimo trabalho!

20 Nov, 2013

Nova lei de manifestações em Espanha

O governo espanhol pretende criminalizar com 600 000 euros de multa a convocatória de manifestações não organizadas. E proibir a recolha de imagens da polícia durante as mesmas.

Face à dificuldade de gestão do quotidiano, inverte-se a legalidade como forma de legitimação da ofensa.

Aqui, uma resposta: "Se querem que os cidadãos protestem menos, ouçam-nos porra!" (*)

http://www.eldiario.es/piedrasdepapel/Quieren-ciudadanos-protesten-Escuchenlos_6_198840116.html

(*) não dá para seguir ouvindo eternamente aos bancos.

20 Nov, 2013

Meritocracia

Muito interessante este artigo. Mais uma prova de que com um pouco de tempo para pensamento se encontram com facilidade as bases e os erros desta crise.

http://www.eldiario.es/catalunya/enciclocracia/Meritocracia_6_198140190.html

19 Nov, 2013

um jogo, um desejo

Que a selecção ganhe à Suécia, que fique hospedada em São Paulo e que as manifestações e dificuldades sociais daquela cidade sejam finalmente sejam cobertas decentemente pelos jornalistas portugueses.

19 Nov, 2013

Pequena frase, recheada de ironia e sarcasmo

A um amigo, a propósito da sua recusa em ver o jogo da selecção (tão só o facto político mais relevante dos próximos tempos)

Não devias ser tão inteligente pá! Assim não mudas nada!

19 Nov, 2013

Agarrem-me que eu vou-me a eles: a rebelião dos reitores

A partir de agora deixem a mesada na caixa postal:

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/educacao/detalhe/reitores_anunciam_corte_de_relacoes_com_o_governo.html

Será de esperar que apelem à população que se manifeste? não, isso não. Ainda nao é caso para tanto e ainda ficávamos sem reforma por causa dessas utopias da juventude. E depois, estamos ainda no nível 1 de contestação e há que ser ordeiro – a ver o governo abre um pouco os cordões à bolsa e alivia isto a bem. Sim, eu sei que já passaram 3 anos de troika e a que parte da população está à mingua e que estamos a perder estudantes e a ter que subir propinas e a dar cabo de todo o trabalho educativo feito nos últimos 40 anos para pagar a dívida dos outros para mas…isto tem regras, que seria do sistema se as violassemos?

Toca a musiquinha?

https://www.youtube.com/watch?v=6PkTVR0P8gg

13 Nov, 2013

Campanha Greenpeace Free the Artic 30

Esta campanha está muito simples e quanto a mim muito bem montada:

Em 2 cliques envia-se um email e acede-se ao número da embaixada russa no país de origem. Bom uso da internet para uma pressão mais global.

http://links.mailing.greenpeace.org/servlet/MailView?ms=NDQzNDQ5MTIS1&r=NzM0NTEzMDU5MTYS1&j=MjEyODUxNzA4S0&mt=1&rt=0

12 Nov, 2013

Urgência de abrandar

Aprendi à minha custa que a palavra "urgência" é pior para a unidade dos movimentos do que a palavra "parado". Todas as fracturas a que assisti por motivos de um movimento estar "parado" foram pacificas e com frequência bem humoradas. Todas as saídas a que assisti por um movimento reagir a urgências e oportunidades únicas desunindo-se e fracturando-se foram comparativamente "violentas". Face a este background pick your risks and make your choices. A mim parecem-me óbvias.

11 Nov, 2013

shhh que se está a negociar o resgate

shhh não façam barulho. "Vamos negociar isto com calma, pela calada, e decidir entre nós como dar a volta ao povo português antes de virmos a público falar sobre o assunto, ok? sigam o calendário que acordámos com o Presidente da República no Conselho de Estado e nada de desconfianças mútuas que ainda deitamos esta golpada a perder..."

http://economico.sapo.pt/noticias/declaracao-de-machete-foi-uma-vez-mais-inoportuna_181392.html

É ridícula esta discussão. Todos os economistas sabem que é verdade a questão dos juros e que é impossível pagar o empréstimo aos actuais niveis. Mesmo que os juros estivessem mais baixos que os juros do empréstimo à troika – i.e., a 4% ou menos (o que nunca estarão!) – demoraríamos anos de austeridade e precisariamos de n reestruturações e muita sorte e crescimento económico para pagar aos credores os lucros que eles nos exigem. Alimentar esta discussão só ajuda a que a ideia de necessidade de um segundo resgate se vá instalando na opinião pública. Se for passada meticulosamente e a tempo, talvez ainda dê para salvar o Passos Coelho e adiar um pouco a entrada do PS no governo. Portanto, para já, antes de isso estar conseguido, nada de precipitações que o povo pode começar a duvidar e por-nos em causa. E ninguém entre nós quereria que isso acontecesse pois não? não é bom para ninguém!