To bridge or not to bridge

Foi hoje anunciado que o MAI proibiu a passagem da manifestação da CGTP na ponte 25 de Abril. Falta ainda saber qual a reacção da central sindical.

A situação de convocatória da manifestação para a ponte é interessante. Não se trata de um 25 de Abril, nem sequer do mês de Abril, pelo que o simbolismo do nome da estrutura não parece ter estado na base da decisão (ainda que os cartazes tentem puxar para esse lado). Para além disso, a CGTP criticou duramente os 226 que outro dia tentaram ir alegremente até à ponte, pelo que a escolha do local faz também pouco sentido. Não se vislumbrando outro motivo, talvez tudo fique a dever-se à euforia pos-eleitoral do Partido Comunista, ainda que esta não tenha ido além de uns pontos percentuais. Magra justificação.

A importância de a CGTP ter dado esta justificação está prestes a revelar-se. Impossibilitados de atravessar pelo governo, a CGTP inicia um pequeno braço de ferro e acusa o governo de veto político. No entanto, falta-lhe a justificação cabal para a escolha do percurso. E perante a ausência desta justificação, não consegue maximizar a sua vitimização e arrisca-se a não ter apoio popular.

Nestas condições, existe o risco de muita gente, inclusive a CGTP, sair a perder de tudo isto. No caso da CGTP parece-me que ou perde a sua base de apoio (se recuar) ou perde o respeito popular (se avançar e houver problemas). Por outro lado, o governo também arrisca. Se autorizar, arrisca-se a ter n manifestações convocadas para o local nos proximos meses ao mesmo tempo que demonstra fraqueza perante os sindicatos. Se não autorizar e deixar atravessar, será acusado de fraco e o proprio ministro cairá ao mínimo incidente que ocorra. Se não autorizar e não deixar atravessar, que fará? dificilmente repressão com bastões ou balas de borracha poderá justificar a defesa da segurança dos manifestantes. Para além disso, o efeito simbólico do retorno aos anos 90 e às lutas dos camionistas, poderá revelar-se devastador [a menos, obviamente, que lhes dê jeito uma desculpa para o fracasso das políticas da troika]-

Facto parece ser, que nos encaminhamos para o que poderá, com algum cuidado, ser um momento de viragem. Atravesse a CGTP a ponte, e em segurança, contra a vontade do governo e, queira ela, nada a poderá parar.

Isto, se quiser…porque até agora nunca o quis nem soube querer.

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