Archive for Outubro, 2013

28 Out, 2013

Já troçam das aves

A pobre ave está cansada, humilhada e deitou-se a descansar. Na refrega, há quem pegue nas suas penas e as pespegue num anúncio de electrodomésticos. Enfim…

http://cacapromocoes.blogs.sapo.pt/1372130.html

Que se lixe o IVA

Nota: Acho que ninguém lhes desejava isto. Ser parodiado pelo "Grande Capital" é um fim demasiado cruel para um movimento que na realidade até é bem intencionado. Tudo isto fica para os "anais" da crise.

Nota2: Alguém ponha o/a chico/a-esperto/a que fez este anúncio de merda a arder num inferno de precariedade.

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27 Out, 2013

Sobre as aves I

Não basta ter asas, é preciso saber para onde se quer ir, e ter energia e companheiros para a viagem.

O "Que Se Lixe a Troika" (QSLT) é uma bela ave. Com penas bonitas feitas de artistas e cantigas. Mas não chega ter penas e ser belo. Não chega despontar no meio do bando e conseguir trazer a espécie até à visibilidade pública. É mesmo preciso energia (ideias) e companheiros para se fazer uma viagem.

Depois de ter revelado ao grupo uma enorme capacidade mediática, a ave esqueceu-se que o seu destino estaria sempre ligado aos demais ("Tu destino está en los demás"). Ainda surge activa e orgulhosa na TV. Mas sabe já que não aguentará a migração.

Não será o "Que Se Lixe a Troika" a fazer o governo cair. Não tem nem companheiros nem energia para o fazer. Nem sequer se lhe vislumbra uma vaga estratégia. Continua belo, mas está isolado. E as aves, olham para ele. É uma posição terrivelmente solitária.

É tempo de voltar a unir as aves (QSLT incluído). Reflectir sobre a experiência alcançada. Definir o rumo futuro.

24 Out, 2013

Sobre a importância dos sonhos e dos sucessos mediáticos

Vale a pena ler este pequeno texto. Ainda que contenha algumas incorrecções.

http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/26763

A acção "obrigada troika" por muito que isso possa custar a aceitar a algumas pessoas furou mesmo o bloqueio dos média e chegou mesmo a muita gente via TV. Fora esse o seu objectivo (furar o bloqueio, ridicularizar os media, discutir o enviesamento da cobertura que dão às iniciativas cidadãs) e teria sido um sucesso. O problema é que não era. Pretendia furar sim, mas para mobilizar. E é aí que a "porca torceu o rabo".

Sem ideias e discussão política por trás (pelo menos que se lhe conheçam), o video só chegou às pessoas e, lamento, mas não sinto nos meus contactos pessoais que as tenha efectivamente mobilizado. As pessoas estão chateadas, tristes, sem futuro. Podem sorrir um pouco ao ver aquela "manifestação" na televisão e até comentar com os amigos e família a surpresa que lhe causou, mas no fundo acham que a situação presente não é para brincadeiras. Gostariam de ver um líder sério e confiante à altura, mas não o têm. E não se sentem com força para se organizar e liderar elas próprias. Estão num beco sem saída. Falta-lhes um objectivo, uma construção comum.

É por isso que é tão importante a notícia da fábrica de peugas e a abertura que dá à anulação das SWAPS. Ou a discussão pública do resultado da petição da inconstitucionalidade da não-tradução do memorando. Ambas as iniciativas (entre outras), permitem, por um momento, ver um futuro melhor. Permitem imaginar um tribunal constitucional que censura o governo por não ter prestado atenção ao uso língua e que rasga o memorando por ele não ter estado disponível na língua dos cidadãos. Permitem imaginar um governo que coloca os bancos em tribunal, e conjuntamente com os tribunais, a anula os juros e dívidas usurários que actualmente condenam a população. Permitem e, efectivamente mostram, que juntos pode ser possível!

Na sua ânsia de construir uma frente de esquerda que una partidos e cidadãos apartidários e derrube o governo, o Que se Lixe a Troika esqueceu-se já há 1 ano que revolta e a mudança se fazem destes sonhos. E que os vídeos, os cartazes e os artistas e figuras públicas apenas lhes dão corpo, não os criam. É uma pena.

23 Out, 2013

A escolaridade e a luta contra a troika (mais qq coisa)

Olhando para os números do Eurostat:

* Em 2012, Portugal foi o terceiro pior país da Europa em termos de população (entre 20-24 anos) com escolaridade secundária ou superior: 67%. Pior que nós, só a Espanha (63%) e a Islândia (58%). Em 2001 a nossa percentagem era 44% e a da Espanha 65%, isto é, Portugal melhorou muito em 10 anos. E a Espanha até piorou um pouco. Pelo contrário, a Alemanha passou de 74% (em 2001) para 76% (em 2012).

* Em 2012, Portugal foi o pior país da Europa em termos de população (entre os 25 e os 64 anos) com escolaridade superior: 38 %. Em 2001, esse valor era 20%. Novamente melhorámos muito. Espanha também passou de 44 para 54%. Portugal, Malta, Espanha, Grécia, e Itália estão todos no fundo da tabela tanto em 2001 como em 2012. Na Alemanha esta percentagem passou de 82% para 86%.

* Os países da Ex-União soviética e Europa Central e Oriental podem passar por dificuldades económicas mas estão muito acima de nós em termos de indicadores de escolaridade. De facto, a Lituânia, a República Checa, a Eslováquia, a Estónia, a Polónia, e a Letónia são actualmente os melhores da Europa em termos de população (entre os 25 e os 64 anos) com escolaridade superior: >89%. Aliás, em 2001 já estavam no topo (excepto a Polónia e a Letónia mas estes países, mesmo assim, andavam nos 80%).

Face a isto que fazer? como podem as populações do sul da Europa enfrentar uma crise financeira? como podem elas procurar informação e perceber o que se passa para além da superficialidade gritante da crise que vivem? Como podem elas não ser vulneráveis aos discursos austeritários dos políticos?

NO que respeita a Portugal: Porra! nunca mais conseguimos libertar-nos dos atrasos de 40 anos de Ditadura. E o pior, é que estamos hoje literalmente a dinamitar o pouco que conseguimos melhorar nos últimos anos. Seja com a destruição do sistema educativo, seja com o aumento das dificuldades económicas das famílias, seja com emigração. The perfect storm!

23 Out, 2013

A escolaridade e a luta contra a troika

Ao ouvir o José Candeias na Antena 1 (das 5 às 7 da manhã), que hoje entrevistou vários alunos de universidades séniores, o meu pensamento tropeçou numa estatística que recolhi em tempos:

*86% a população portuguesa (com mais de 15 anos) não tem ensino superior
(ver dados aqui)

*67% da população portuguesa (com mais de 15 anos) não tem o secundário
(ver dados aqui)

Ao mesmo tempo, olho em volta e constato que quase todas as pessoas que conheço têm curso superior.

Daqui tiro rapidamente algumas conclusões:

* A maior parte da população não deve ter sequer as ferramentas que lhe permitam perceber o discurso dos políticos, quanto mais interpretar uma notícia escrita em língua estrangeira, ou o título de uma página de economia de um jornal (e provavelmente até grande parte das manchetes de capa). Tenho até sinceras dúvidas que consigam perceber na totalidade um noticiários da TV ou rádio, muito menos as subtilezas dos discursos. Estas pessoas são carne para canhão das políticas de austeridade. E não é de espantar que por pura ignorância muitas as apoiem.

* Com os jovens qualificados a sair de Portugal a situação não vai definitivamente melhorar

* O caminho da emancipação cidadã é imensamente longo e precisa de gente que conheça esta efectivamente realidade. Ou então que a aprenda. Gente por exemplo com experiência em lidar com públicos diversos. Ou que reconheça a necessidade de sair completamente para fora da sua zona de conforto.

* Tenho sinceras dúvidas sobre a importância do que faço. Por mais curso superior que tenha, dificilmente se pode dizer que conheça minimamente este país. Estes números surpreenderam-me. Como tal, tenho de admitir que tenho opiniões seriamente enviesadas. Se as populações não compreendem um título de economia, eu não entendo as populações. Qual o mais grave?

* Enfim…

22 Out, 2013

Obrigado Troika!

https://www.youtube.com/watch?v=9FEHBJxbXMM&feature=youtu.be

O "Que Se Lixe a Troika" conseguiu ontem uma acção mediática extremamente bem conseguida, atraindo os principais media para uma manifestação de apoio à troika. Qual "Guerra dos Mundos", engaram tudo e todos, convencendo a opinião pública de que havia mesmo uma manifestação a favor da troika, fazendo vozes à esquerda imaginar contra-manifestações e por certo alguns assessores governamentais pasmarem de alegria.

A ideia é gira e foi extremamente bem mediatizada (até a minha mãe soube dela e me ligou preocupada!). O discurso pecou um pouco por apalhaçado mas criticar a posteriori é fácil e há que reconhecer que na generalidade funcionou mesmo muito bem.

A iniciativa expôs como nenhuma até aqui as fragilidades da nossa comunicação social, a sua atracção por tudo o que é novo, a ordem de valores que a orienta. A descrição colocada pelo Ricardo Castelo Branco na página do video, explica de forma clara e sucinta isso mesmo.

Props!

21 Out, 2013

Otros esperan que resistas

Otros esperan que resistas
que les ayude tu alegría
tu canción entre sus canciones.

http://www.poesi.as/jag0020b.htm

20 Out, 2013

Sobre o sentido da revolução democrática, o seu direccionamento e o papel de um democrata nela

A situação de viver e defender a democracia mas vê-la a ser corroída internamente por uma série de políticos e banqueiros enquanto a população está inerte à sombnra da bananeira desgraçada coloca grandes dilemas.

Face à situação actual, que pode fazer quem estiver democraticamente revoltado? Pode romper a ordem democrática e forçar uma revolução. Mas, enquanto democratas, será legítimo fazê-lo mesmo que uma grande maioria não a deseje?

Impasse.

Penso que não. A minha sugestão é que nos preparemos e informemos. Se ela surgir surgiu e estaremos preparados (mas nesse caso, exige a responsabilidade que tenhamos identificado exactamente o que precisa de ser revolucionado quando o tempo chegar – e isso ainda está por fazer). Se não surgir, continuaremos talvez a ser esta espécie de vanguarda que defende a completa alteração do sistema admitindo que talvez não consiga nunca convencer gente suficiente para a realizar democraticamente (seja através da rua seja através do voto).

Não há que temer nem perder a esperança com esta aparente não solução. As revoluções tal como as evoluções fazem-se de pequenos contributos individuais muito diversos, cada um dos quais apenas pode aspirar a ser determinante. Podemos dar o nosso contributo mas para respeitarmos a ordem democrática temos de admitir como altamente provável que não nos caiba a nós determinar ou influenciar derradeiramente o destino colectivo.

Face a isto que esperança e como medir o sucesso? Se resultar, no final mesmo que a sociedade não se revolucione, teremos pelo menso empurrado um pouco a sociedade numa direcção de evolução que nos pareça vagamente mais correcta do que o seu estádio anterior.

Parece pouco mas será talvez o suficiente para podermos afirmar que não vivemos em vão? certo?

20 Out, 2013

To bridge or not to bridge: round-up

A CGTP lá atravessou a ponte ontem. 300 camionetas, inicialmente rapido depois criando alguma confusão no trânsito. Sempre pela faixa da direita e cumprindo o código de estrada. No final Arménio Carlos, o líder da CGTP, efectuou o habitual discurso, anunciando novas manifestações e contestações. Alguns “apanhados” incluem uma entrevista em que Arménio se congratula de não ter provocado problemas no trânsito. Por certo declarações retiradas do contexto.

Podemos torcer a realidade o que quisermos. Podemos baixar-nos tanto até conseguir transformar todos os copos vazios em copos cheios, e transformar todos os fracassos em vitórias. Todo este baixar, fará por certo bem à coluna e ver os copos cheios sempre animou o espírito da gente (muito mais do que ver os copos vazios). Temos ainda assim, por mais que nos baixemos, alguns instrumentos ao nosso alcance para aferir a realidade. Cheios ou vazios, desde que se descobriram as unidades volumétricas que é possível aferir a quantidade de líquido que está dentro dos copos e que se sabe que o número de mililitros não depende da dimensão dos ditos copos. A principal central sindical recuou no dia da entrega do 3o orçamento da troika. Parecem-me mililitros suficientes para aferir que a sua acção está longe de defender os interesses dos trabalhadores, muito menos os interesses da população. Sobretudo se se tiver em conta os cortes que o dito orçamento trás e a recessão em que afundará o país.

Mas Arménio tem razão, não era de facto altura para atravessar a ponte ou qualquer desobediência civil. Não era nem será nunca. O povo tem de facto medo de confrontos, e parece estar disposto a tudo para não se parecer com a Grécia e não dar argumentos ao governo para o 2o resgate. Os proprios sindicalizados aplaudiram o recuo como responsável. E alertaram os jovens incautos das redes sociais de que os custos a pagar por hipoteticos confrontos na ponte seriam incomensuráveis.

Há, em Portugal uma grave confusão entre legalidade e legitimidade. Não sei porque raio os portugueses prezam mais a primeira do que a segunda. Em todo o lado as pessoas refugiam-se na legalidade, esquecendo por exemplo que a pena de morte já foi legal. Bem como a queima de judeus em fogueiras públicas. Ou a repressão da pide. Esquecendo tudo, e nem sequer avaliando o uso que está a ser feito da “legalidade” por quem nos governa. Nem ponderando na equação o que estão fartos de saber: que só alguns têm acesso à legalidade em sua defesa e não é certamente o caso de 99% da população. Por outro lado, na sua candura legalista, aceitam implicitamente que legalmente o governo feche escolas e hospitais, despeça pessoas, dê cabo da economia do país, e corte nos parcos subsidios de que muita gente depende para sobreviver a estas suas políticas. Mas e quando alguém lhes lembra isso? reagem agressivamente: E se houvesse confrontos? perguntaram-me várias pessoas logo partindo para a pergunta “é-te indiferente que morra alguém?”, “queres que alguém morra?”

Rídiculo. Está para nascer o dia em que caem pessoas que nem tordos da ponte, essa imagem fantasmagórica com que todos parecem justificar a sua inacção e que tão bem serviu os interesses do governo. Mas já nasceu o dia em que vão sendo mortos aqui e ali, sem se dar por isso, nas exactas mesmas ruas que a ela conduzem. Todos fazemos os discursos mais tenebrosos sobre o destino do país, a pobreza e as suas vitimas. Praticamente ninguém vê solução nas políticas governamentais. Não hesitamos em relacionar o aumento dos suicidios com a austeridade. E rejubilamos de indignação quando um banqueiro nos diz que “aguentamos tudo”. Mas violência? violência era a dos sindicatos desafiarem o governo e atravessarem a ponte a pé tentando por uma vez, UMA!, abanar o governo e travar um pouco as suas políticas. Não, isso era violência e o governo teria toda a legitimidade para os travar. E até lhes devia bater e espancá-los para que não corressem o risco de tropeçar e cair. Tudo isto num país que há anos assiste a uma maratona naquela ponte.

Rídiculo! Completamente rídiculo. Credo.

19 Out, 2013

Agir em clandestinidade é preciso! atravessar pontes em autocarros não é preciso!

https://www.youtube.com/watch?v=Ai1Ar1-bjDE