Archive for Setembro, 2013

09 Set, 2013

Ainda sobre as olimpiadas madrilenhas

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ABxgyEjiQB8

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09 Set, 2013

Vale a pena ler: ¿Crisis de la democracia? Una propuesta republicana radical

Não é só a Daniel Oliveira que lhe foge o pézinho para o sistema partidário na altura de tirar conclusões sobre o que era ao início um excelente conjunto de argumentos. Também em Espanha isso se passa. Do mal o menos, sobra-nos exactamente isso: excelentes conjuntos de argumentos sobre os quais vale a pena ler e reflectir.

Este próximo texto vem de um deputado da Izquierda Unida e tem como principal atractivo o que nele se subentende de análise partidária sobre os movimentos sociais, de procura de soluções para a realidade, de mudança do discurso partidário (sempre lenta, mas move-se!), e de tentativa de aproximação ao sentimento das pessoas. Fica apenas curto e enviesado no final – tal como no caso de Daniel Oliveira, as premissas não levam necessariamente àquelas conclusões.

http://www.eldiario.es/zonacritica/Crisis-democracia-propuesta-republicana-radical_6_172242792.html

09 Set, 2013

Sobre um texto de Daniel Oliveira

Daniel Oliveira teve uma interessante reflexão sobre o controlo da coerência nos partidos políticos. O texto está bem escrito e bem ponderado, valendo a pena ler e aprender com ele pela clareza com que expõe o argumento. No final no entanto lê-se:

É por tudo isto que, contra o discurso dominante, considero que as formas inorgânicas e basistas de participação política têm muitas limitações. Porque a política sem programa escrito e sem liderança com rosto é, por não responsabilizar ninguém e apenas reagir à vontade maioritária de cada momento, destituída de limites éticos.

ao que importa comentar, em defesa de uma perspectiva assembleária,

1. todo o texto de Daniel Oliveira que antecede esta frase fala precisamente das limitações das formas orgânicas e centralistas, pelo que também aí Daniel de Oliveira reconhecerá limitações. Tantas que até o levaram a escrever o artigo.

2. Tenho dúvidas que as formas inorganicas e basistas sejam o discurso dominante. Muito pelo contrário, o discursos dominante, o politicamente correcto, está do lado do centralismos partidário (acrescido de pequenos ameaços de inclusão democráticas das "bases").

3. A existência de horizontalidade e incorporação de pessoas diversas não implica, ao contrário do que Daniel de Oliveira parece crer, a ausência de um programa escrito.

4. A não existência de liderança não implica a desresponsabilização das pessoas nem a ausência de limites éticos. Muito pelo contrário, implica a responsabilização acrescida de todos os elementos (e não apenas do topo) e a criação e regulação colectiva dos limites éticos (por oposição à sua definição pelo topo).

08 Set, 2013

“los reflectantes” em Londres

Para ler com ironia e sorriso:

1.
http://sociedad.elpais.com/sociedad/2013/09/06/actualidad/1378497960_813562.html

http://sociedad.elpais.com/sociedad/2013/09/04/album/1378307919_121634.html#1378307919_121634_1378308562

2.
www.reflectantes.wordpress.com

3.

08 Set, 2013

Catalunha: cadeia humana independentista em preparação

O independentismo é uma faca de dois gumes…faltam 3 dias para uma acção que, a revelar-se tão espectacular como se anuncia, pode vir a ter repercussões políticas no destino de Espanha e da Catalunha.

http://www.eldiario.es/catalunya/Catalunya-prepara-miradas-contundente-independencia_0_171833476.html

08 Set, 2013

Portuguese do it better

Em Espanha, bombeiros recusaram-se a obedecer a uma ordem da polícia terminando identificados.

http://atitulopersonal.es/farola-y-pancarta/

Pois é…no país vizinho não só o 15M não morreu, como continua a ter razoável capacidade de mobilização e inovação. Tudo isto sem ter tido necessidade de se vincular a agendas partidário-sindicais ou convergências unitárias à esquerda.

Diz-se por lá que é possível e vantajoso não fazer isso, porque não é unidade na acção que as pessoas querem ou necessitam, mas diversidade, inovação, confiança e sobretudo respeito pela sua participação…mas nós cá é que sabemos! os portugueses sempre sabem ("portuguese do it better"), nomeadamente os elementos da esquerda activista bloquista/comunista (e regiões adjacentes) que já cá andam há muito tempo e por isso não hesitam em dizer "o que é preciso", não hesitando em “colocar o dedo na ferida”, afirmando que "é preciso é substancia", que "isto não vai lá com infantilidades", que "os acampados são um bando de freaks", "estas mobilizações são inconsequentes", que “o 15M são jovens burgueses que descobriram a crise” e que o “que é preciso é chegar aos trabalhadores” e “a queda do governo” porque “é urgente e povo está a ser massacrado” e “o povo já não aguenta mais”…

A queda do governo era para ontem não era? e afinal o povo sempre aguentou apesar dos ânimos exaltados e profusão de posts no facebook que reagiram à frase do banqueiro…e a esquerda activista desertou as praças…primeiro em Agosto (para descansar “que a luta é dura”), depois no início de Setembro (para o Avante “porque é um espaço cultural único”) e no final de Setembro para eleições (“porque afinal de contas, ciclos políticos são ciclos políticos”)…e, em Outubro, lá voltarão às ruas porque o Orçamento de Estado tem data fixa (15 de Outubro) e teremos tempo para nos preocupar com ele…mas à cautela, a CGTP marca uma jornada de luta para uns dias depois da sua apresentação (provavelmente “para dar tempo para preparar”)…

…face a isto…haverá este Outono da parte de quem não se revê neste tipo de coisas, o mínimo de espaço e tempo para um pouco de auto-crítica, para uma avaliação do que correu bem e do que correu mal nestes últimos dois anos que envolva uma análise objectiva do caminho percorrido e ponderação de novas soluções (incluindo nelas, a possibilidade de reinvenção das soluções assembleárias e abertas entretanto abandonadas)?

07 Set, 2013

E no entanto ela move-se

"O 15M está morto".

Estas palavras ecoaram das bocas de vários activistas de longa data logo após 3 ou 4 dias de Acampada Lisboa. Ao longo dos meses seguintes haviam de ser repetidas (e repetidas) até à exaustão sob inúmeras formas: "só se discute e não se faz nada", "não é prático", "está dividido", "já desmobilizou", "os espanhóis são diferentes", "nós não somos como os espanhóis", "isso são idealismos", "aqui as coisas são mais graves", "não podemos dar-nos ao luxo de discutir tudo", "não temos tempo para discutir tudo" etc., etc., etc. Resmas de emails, resmas de vozes avalizadas, resmas de activistas de longa data, cedo se juntaram para declarar morto o 15M e as acampadas. Afinal, ter surgido algo de novo, mobilizador, não colocaria em causa a estratégia que haviam seguido nos últimos anos? Brrrr….medo….

Preocupados com a crise, muitos dos outros, daqueles que haviam inicialmente defendido a necessidade de uma “mobilização cidadã à margem dos partidos”, contra a “mercantilização das pessoas pelos bancos e políticos”, por uma “democracia verdadeira”, acabaram também eles por ceder ao pragmatismo das urgências, e fazer ecoar essas palavras e sentenças. Puseram a Democracia e os bancos e o sistema político de lado para centrar a sua acção no governo. Afinal…era urgente provocar a sua queda.

Era, não era?

Meses volvidos das maiores manifestações de sempre, sem solução à vista depois de terem declarado morto o que inicialmente os mobilizou, pouco lhes resta senão esperar que algo aconteça…e tapar e calafetar as janelas para que ninguém, nos seus plenários cometa o arrojo e a loucura de olhar para o lado e

como dizia Galileu, descobrir que “ela se move”, admitindo talvez – oh herege! – em voz baixa, um leve erro.

http://www.eldiario.es/politica/permanece-colgado-Puerta-Sol-Madrid_0_172882743.html

07 Set, 2013

Vale a pena ler: “Mãos Sujas” de Sartre

O confronto entre pragmatismo e idealismo é uma realidade quotidiana que importa ter em conta. "Mãos Sujas" é um livro que incomoda a ler, fazendo o leitor simpatizar, ora com uma corrente/personagem, ora com outra, desprezando ambos enquanto procura para si o que poderia ser um suposto "rumo certo". Um rumo que não existe, por ser feito de confrontos, alternâncias, dominâncias, equilíbrios, e nuances entre várias posições; por ser feito de opções individuais que geram opções colectivas dinâmicas, difíceis de prever, mas que, paradoxalmente, muitos de nós pensamos que conseguimos controlar.